Sinovectomia

Preservação articular

As articulações podem sofrer deterioração por diversos motivos. O uso e o desgaste ou uma infecção podem causar lesão da cartilagem articular com progressão ao longo dos anos. Traumatismos podem deformar a articulação, causando instabilidade ou resultando em vetores de força muscular alterado como, por exemplo, nas rupturas de manguito rotador levando a artropatia. Outras causas:

– Sinovite: na hemofilia na qual há sangramento intra-articular frequente, e na artrite reumatoide, com proliferação da sinóvia capaz de destruir a cartilagem articular;

– Osteonecrose: que pode resultar em fratura de estresse e colapso da articulação com subsequente incongruências;

– Distribuição das cargas na articulação: como resultado, por exemplo, de desalinhamento.

Alguns procedimentos podem ser feitos para retardar a evolução da deterioração que resulta dessas três causas e, portanto, prolongar a vida útil da articulação. Esses procedimentos são sinovectomia, descompressão e osteotomia.

Sinovectomia

A sinovectomia é um tratamento capaz de prolongar a vida útil da cartilagem por meio da retirada da sinovite proliferativa que danifica a cartilagem. Ela está indicada para tratamento de sinovite crônica e não para a aguda. A sinovite crônica caracteriza-se pela proliferação sinovial podendo ser monoarticular, como na sinovite vilonodular pigmentada, ou poliarticular, na artrite reumatoide ou na hemofilia. A sinovite é distúrbio geralmente causado por reação à irritação da articulação.

Indica-se normalmente a sinovectomia na artrite reumatoide, mas o procedimento pode ser favorável em muitas outras doenças como osteocondromatose sinovial, sinovite vilonodular pigmentada e hemofílica e, ocasionalmente, após infecção aguda ou crônica.

Seguem-se as indicações mais específicas de sinovectomia:

  • Sinovite: com doença limitada à membrana sinoval com pouco ou nenhum envolvimento de outras estruturas da articulação.
  • Hemartroses: recorrentes em doenças como sinovite vilonodular pigmentada ou hemofilia.
  • Infecção: quando junto com irrigação e desbridamento da articulação houver destruição iminente causada por enzimas lisossomais derivadas de leucócitos sanguíneos liberadas no processo infeccioso.
  • Insucesso de tratamento conservador.

A sinovectomia é contraindicado na artrose degenerativa significativa da articulação envolvida ou de outra articulação, ou envolvimento de cartilagem.

Técnica

A sinovectomia é mais comum no joelho, mas pode ser feita em cotovelo, tornozelo e punho.

Há três técnicas principais: sinovectomia aberta, sinovectomia artroscópica e radiossinovectomia.

  • Sinovectomia aberta: menos comum, em razão da dor que dificulta a movimentação plena após a cirurgia. Indicação para exercícios de mobilização passiva. A sinovectomia aberta pode ser necessária nos casos de sinovite vilonodular pigmentada ou de osteocondromatose sinovial, embora essas doenças também possam ser tratadas via artroscópica, que, em muitos casos, permite remoção total não invasiva da sinóvia.
  • Sinovectomia artroscópica: pode ser fatigante, especialmente em grandes articulações como a do joelho, porque, em alguns casos, o tratamento completo requer a retirada de toda a sinóvia. A sinovectomia artroscópica é recomendada apenas para lesões localizadas.
  • Radiossinovectomia: Usada nas articulações do joelho afetada por artrite reumatoide. Nessa técnica injeta-se microagregados de disprósio hidróxido de ferro no interior da articulação levando a melhora em percentual significativo de pacientes. Com esse procedimento ocorre a redução da proliferação sinovial, reduzindo a dor, perda de sangue e redução de custos.

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